terça-feira, 8 de março de 2011

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Há uns dias recebi um daqueles e-mails que já nos são habituais nas caixas de correio onde tratava o caso de uma criança com leucemia, e como vivemos num país 'assim' todas as maneiras de divulgar e encontrar um possível dador de medula óssea, são poucas. Acho bem que o façam e que usem os novos meios de comunicação para o fazer. O se não está noutro pormenor.
Logo que fiz os 18 anos, como já havia planeado, tornei-me dadora de sangue. Algo que na minha opinião não deveria ser uma opção de escolha mas à partida um dever social. Depois disso, decidi tornar-me dadora de medula óssea, para isso dirigi-me a uma casa da Cruz Vermelha e o primeiro passo era apenas preencher um género de formulário onde nos são questionadas todo o tipo de coisas. Até aqui tudo bem, se não tivesse passado um ano sem obter qualquer tipo de resposta. Ao fim de duas vezes me ter dirigido de novo à Cruz Vermelha a pedir esclarecimentos e de as respostas serem vazias e as justificações estapafúrdias, desisti de lá ir. 
É inaceitável situações destas continuarem a acontecer enquanto há pessoas a morrer de leucemia, não falando noutras áreas. Não digo que se obtivessem 100% de bons resultados, mas tenho a certeza, sem ser preciso saber números e estatísticas, que muitas dessas pessoas morrem por causas desumanas e irresponsabilidades de todos nós. Tu e eu, que recebemos e-mails do género e que maior parte das vezes os ignoramos. A genética portuguesa que nos cria despreocupados e comodistas. Os portugueses já se habituaram a ficar calados perante todo o tipo de situações. O simples facto de pedir um livro de reclamações soa a tabu. Estarmos descontentes já não nos é permitido, pelo menos fora de casa. 
Chateia-me o facto de ter de me dirigir a outro sitio, que não na minha área de residência, para que obtenha resultados. Enquanto isto já poderia, quem sabe, salvar a vida de alguém e ser um milagre no ceio de uma família. Não quero esperar que seja algum familiar meu ou amigo a ficar mal para que faça alguma coisa. Não faz parte da minha personalidade, gosto muito de dormir de consciência tranquila, com o sentimento de dever cumprido. Nem que seja pelo simples facto de partilhar um insólito destes, muito pouco agradável. 
A quem governa, às senhoras da Cruz Vermelha e a todas as famílias que se sentam todas as noites em frente à TV a ver novelas, espero do fundo do meu coração que nunca vejam a entrar pela porta da sua casa uma doença deste nível. Espero também, que se abram consciências e se alarguem horizontes para que isto não continue a acontecer e que um dia neste blog tenha a oportunidade de dizer 'Hoje salvei a vida de uma pessoa.'.
A mim resta-me apenas dizer que os fumos continuam a ser muitos e bons no meio da estupidez humana que me rodeia. E que tento ser, a cada dia, uma pessoa melhor. Não a 100% , há que guardar alguma maldade para sobreviver nesta selva e ter forças para lutar contra tudo o que me faz comichão.

1 comentário:

  1. Anónimo9/6/11 00:04

    Existem tantos problemas sociais faceis de concertar, apenas parte do principio de sairmos do nosso comudismo e ajudarmos alguem... estes sao problemas faceis de resolver...

    Agora imagina, que te cruzas todos (ou quase) os dias com alguem que te chama a atençao, alguem que se distingue de tudo o resto... pois isso é fudido, ainda mais se esse alguem parece uma muralha intransponivel, nao por ser inalcançavel, apenas porque nao ha motivo/situaçao que motive para te virares para ela e dizeres que a queres conhecer melhor, sem que ela (mesmo dando a entender que é crescidinha o suficiente para perceber que dar o primeiro passo demonstra coragem e interesse) pense que tens a tua agenda... isto sim e lixado...

    Para o resto a soluçao é levantar o rabinho do sofa e por o braço ao pe da Pica...

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